19 de dezembro de 2007

Desilusão em banda larga

De David Lima - Desilusão em banda larga - Data: Agosto de 2005

O mundo todo se conectou,
e ninguém inventou computador que saiba amar.
Download de apreço, download de amor...
O mundo todo se adicionou,
criou comunidade,
e ninguém inventou download da verdade.
Inventaram spam, pornografia,
cruel sabedoria, disconexão total!

De que me vale a banda larga se eu largo a banda no final?
De que me vale seu orkut se a gente nem se curte?
De que adianta ICQ se a gente nem se vê?
Pra quê webcam se a gente nem “pã” ?
MSN é uma ova, eu quero é prova real.
Seu papo virtual só me chateia, o chat me entedia,
você me tratou tão bem no outro dia e agora age feito conexão discada...

Sabe qual é da parada?
Cansei e vou te bloquear!
Não aguento mais esta insana distância,
não quero mais teclar!
Disconecta de mim,
vê se me larga!
A banda larga,
a fila anda,
o tempo acaba.

(Republicando o poema, que foi publicado na Bienal do Livro, na coletânea de poesias vencedoras do Festival de Campos de Poesia Falada)

2 comentários:

Alexandre Damasceno disse...

Maravilhosa a poesia, fantástica!!! Como vc bem disse, o soneto engessa um pouco a gente, dificulta a fuga do tom declamatório. Escrevê-lo é mais um desafio de métrica (aquele negócio de quatorze versos com doze sílabas poéticas cada é "osso"). Confesso abertamente minha preferência à poesia mais livre, com fascínio pelas rimas. As aulas ensinaram-me a gostar também da poesia sem rimas. Mas, como raramente as abandono, passei a tentar fazê-las fugir da mesmice. E isso você faz com maestria. Applause!

Eliana Loureiro disse...

Gostei muito, seu moço.

Gostei mais ainda de saber que foi escrita (ou apenas postada) no dia do meu aniversário.

Enfim, muito boa sorte e muito boa poesia no seu caminho.

Gde bjo!