16 de março de 2008

14 de março de 2008

Ah...vó!

Chove muito hoje,
não estou mais triste,
mas parece que a cidade chora.
Há dias em que isso me soa
como uma lavada na alma
dos que sofrem no tempo de agora.

Não há resquícios de tristeza,
nada, tenho andado muitíssimo em mim.
Amanheci com alergia no nariz,
na madrugada tive uma leve asma,
mas respiro, aliviado, sem bloqueios.
Estou constipado, mesmo que isso não seja brasileiro.

Chove muito e eu não tenho guarda-chuvas
O telefone toca e é a vó:
Comprei um guarda-chuvas, listrado, cinza por fora, grandão!
Vais querer na páscoa ovo ou bombom?

O dia mudou o sentido,
mesmo sem o sol ter aparecido.
Já sei porque chove tanto...
É pra dissolver os nódulos dos medos da vó!
É pra desatar os nós da possibilidade de doença"
Isso me traz uma brilhante - ainda que molhada - certeza:
A vó nunca vai ter câncer, é enfermidade só pra quem pensa.
A vó sente.
Ah..vó!